Projeto Se Mudando
Campanhas Sociais

Conhecendo o Projeto Se Mudando

A Partyou acredita no poder de mudança dos universitários e defende a ideia de que juntos eles podem transformar qualquer ambiente um lugar melhor.

Por isso, nesse BlogPost gostaríamos de compartilhar com vocês o Projeto Se Mudando, formado atualmente por 13 pessoas, todos universitários, sendo 12 da UFSCar e 1 da USP São Carlos.

O Projeto tem como objetivo “quebrar barreiras e participar da mudança na vida de pessoas com trajetória de rua ao fomentar sua reinserção na sociedade.”

E para conhecer a ideia mais a fundo, convidamos o Murilo Florêncio para nos contar melhor como o Se Mudando trabalha. Natural de Goiânia – GO, Murilo mora em São Carlos desde 2016 para cursar Engenharia de Produção na UFSCar e é um dos fundadores do projeto.

Como o Se Mudando funciona?

Gostamos de falar que queremos quebrar a invisibilidade que existe entre as pessoas em situação de rua e a sociedade. Como fazer isso? Em tempos normais, nossa atuação seria selecionar alguns assistidos (pessoas com trajetória de rua e que estão morando em alguma instituição) e ajudá-los com apoio psicológico; cursos; treinamentos; confecção de currículos; conversa com empresas para oferecer uma oportunidade; gravação de vídeos contando suas histórias e mostrando pras pessoas; visitas semanais para uma simples e importante conversa.

Infelizmente com a pandemia não conseguimos atuar dessa forma, então estamos realizando ações pontuais relacionadas com a pandemia. Espalhamos por diferentes pontos de São Carlos garrafas com água e sabão; entramos em contato com algumas instituições da cidade e compramos itens de higiene que elas precisavam; estamos tentando realizar outra ação em parceria com mercados. 

Garrafas de água e sabão espalhadas pela cidade

Além disso, estamos avançando em alguns aspectos internos do grupo, como tirar CNPJ e estudando algumas metodologias para impactar mais a vida das pessoas em situação de rua.

 

Como vocês selecionam a pessoa que vai receber esse suporte e como fazem esse acompanhamento no segundo momento? 

Membro com um assistido

Temos uma parceria com a instituição Divina Misericórdia, uma das responsáveis por acolher pessoas em situação de rua em São Carlos. O coordenador da instituição nos indica algumas pessoas para serem nossos assistidos. 

Feito isso, vamos até à Divina Misericórdia para conhecê-las, conversar e ver se existe alguma forma de contato direto com elas. Quando esse contato não é feito, usamos a instituição como intermediário. Assim, usamos o telefone e visitas presenciais para manter contato.

Além disso, há um projeto dentro da UFSCar chamado IntegraRua, que faz um trabalho super legal com mulheres em situação de rua. Já tivemos assistidos indicados por eles também!

 

Como nasceu o Se Mudando?

O Se Mudando nasceu no 1o semestre de 2018, dentro do grupo PET Produção, da UFSCar. O PET Produção é um grupo vinculado ao MEC que busca trabalhar com a tríade de Ensino, Pesquisa e Extensão. 

No Planejamento Estratégico do PET sempre há um momento de criação de novas atividades. Nesse dia, cada membro sugere individualmente alguma atividade (que vai desde treinamento para alunos da graduação, projetos com empresa, atividades internas, projetos sociais etc) e apresenta sua ideia ao grupo.

Em 2018, 4 pessoas tiveram ideias de projetos que trabalhavam com pessoas em situação de rua e o grupo abraçou as ideias. Feito isso, essas quatro pessoas se juntaram para definir como seria esse projeto. 

Nós sabíamos de uma coisa: queríamos criar um projeto para impactar e mudar a vida dessas pessoas. Depois de uns meses de estudos e pesquisas nasceu de fato o Se Mudando, que tinha como primeiro objetivo mudar a vida das pessoas em situação de rua através do emprego.

 

Quais são as maiores dificuldades de vocês?

Trabalhar com pessoas em situação de rua é um grande desafio. É preciso entrar no mundo deles, que é totalmente diferente, e tentar enxergar o mundo com os olhos deles. 

Talvez o que mais percebemos dentro do projeto é o preconceito e a falta de oportunidade. Conhecemos muitas pessoas super capacitadas a procura de emprego e que não conseguem pelo fato de já terem morado na rua. 

Ninguém tenta entender o porquê dessas pessoas terem ido morar na rua, esse é o problema.

 

Vocês conseguem mensurar o impacto do projeto? Consegue passar um pouquinho pra gente?

No ano de 2018 trabalhamos com 5 assistidos e em 2019 4 deles estavam empregados. O contato com o empregador direto não foi nosso, mas segundo os próprios assistidos, a confecção de currículos e, principalmente, o apoio psicológico que oferecemos (com uma psicóloga parceira) foi fundamental para eles.

Ainda temos contato com alguns desses que continuam no seu emprego e estão indo muito bem!

É comum ouvir também que nossas visitas e apoio são super importante para mantê-los animados e fortes na busca por um emprego, já que a maioria deles está tentando há muito tempo e não consegue ver perspectivas de resultados.

Durante esses meses de pandemia, compramos e montamos cerca de 90 kits de higiene para instituições da cidade que trabalham com pessoas em situação de rua para colocar em alguns pontos da cidade, envolvendo álcool em gel, papel higiênico, desodorante, máscaras, sabão etc.

Doação dos kits de higiene

Como vocês se organizam internamente?

Estamos divididos em 4 áreas:

  • Gestão: responsável pela organização e acompanhamento interno do projeto, assim como contatos externos.
  • Linha de Frente: responsável por todo contato com as pessoas em situação de rua, acompanhamento e criação de atividades envolvendo eles.
  • Financeiro: responsável pela captação e gestão dos recursos financeiros.
  • Marketing: responsável pelas redes sociais do projeto e divulgação das atividades do Se Mudando e de notícias relevantes sobre pessoas em situação de rua.

Membros

Além disso, quando temos alguma atividade surgindo alocamos pessoas (que podem ser de diferentes áreas) e criamos um squad responsável pela atividade.

Qual foi o impacto que o projeto teve na sua vida? Quais foram as maiores recompensas que você teve por fazer parte do Se Mudando?

Difícil tentar colocar em palavras o que o Se Mudando representa pra mim. Tentar se colocar no lugar de outra pessoa, principalmente menos favorecida, é um exercício que o Se Mudando me traz diariamente. Isso me torna uma pessoa mais sensível, que tento entender mais a fundo o que as pessoas vivem, que junto escutar mais e julgar menos.

Esses mais de 2 anos de Se Mudando me ajudaram a ver como a sociedade é preconceituosa e como isso impacta negativamente a vida das pessoas. Consigo ver que as vezes só falta uma mão estendida e você ter uma vida impactada.

Ouvir de um assistido nosso que ele já vai completar 2 anos de emprego, que conseguiu sua casinha e tá feliz da vida não tem preço.

Além disso, olhar para trás, ver 4 pessoas tentando começar um projeto social e comparar com hoje, que temos 13 membros, o time excelente que conseguimos montar, assim como uma excelente estrutura interna, as vidas que impactamos, o caminho que estamos seguindo e o potencial que o Se Mudando tem é muito prazeroso.

Tenho certeza que o Se Mudando ainda vai crescer muito, impactar cada vez mais vidas e alcançar sua visão de se tornar referência no modelo de resolução do problema social de pessoas em situação de rua atuando em prevenção, construção, transformação e estabilização.

 

Projeto Se Mudando, gerando oportunidades para mudança.

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