Atléticas Parcerias

Consciência Negra – Depoimentos de alunos e alunas

No dia 20 de novembro se comemora o Dia da Consciência Negra. E nós aproveitamos essa oportunidade para colher alguns depoimentos de alunos e alunas de entidades estudantis que são nossas parceiras.

São atletas, membros de atléticas e de centro acadêmicos, que lutam para construir um mundo melhor e mais inclusivo.

Carol Nascimento, atleta e membro do Coletivo Poli Negra 

 

Carol Nascimento joga handebol, basquete e pratica atletismo na Poli. Foi diretora acadêmica do centro acadêmico, representante discente do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo, também fundou o cursinho popular em Santos e é membro ativa do Poli Negra.

Ufa! Ninguém segura essa mulher.

Ela, que já ouviu muita piada racista em campeonatos e era a única aluna negra de sua turma, acredita que tem muito ao que melhorar. E tem sido parte ativa dessa mudança.

Carol foi uma das organizadores da Semana de Consciência Negra na Poli, que começou em Santos (SP) e agora expandiu pra São Paulo. (O relato na foto é do evento do ano passado).

“A maior conquista foi trazer a discussão [sobre racismo] pra cá. Antes, as pessoas passavam, sofriam e não tinha discussão.”

Junto ao coletivo negro, ela também cobra das entidades acadêmicas ações afirmativas em relação às minorias ❤

Gabriel Rodrigues, membro do Centro Acadêmico da Química (IBILCE/Unesp)

 

Gabriel Rodrigues, também conhecido como Pastor, é estudante de Química da Unesp e foi membro do Centro Acadêmico.

Em uma aula na faculdade, um professor o chamou de “marrom glacê” e o apelido pegou durante as aulas.

“Eu sempre me considerei negro, mas nunca levei muito a sério esse tipo de assunto, nunca tinha participado de alguma discussão sobre.” Até que fez uma aula optativa sobre cultura africana que era ofertada no Departamento de Educação da faculdade e mudou de perspectiva.

“Aí eu tomei consciência de que [o racismo] está tão instalado na sociedade que a gente acaba nem percebendo que foi vítima de um preconceito.”

Hoje, muitos de seus amigos já entenderam isso também “e aos poucos foram parando de reproduzir esses tipos de piada”.

Mayk Santos, Petiano egresso do PET Biologia (IBILCE/Unesp)

 

Mayk Santos está em seu quinto ano de Ciências Biológicas na Unesp. Nascido numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Potirendaba, ele estudou a vida toda em escola pública e não sabia o que viria depois do Ensino Médio. “Pra mim, eu ia me formar no colegial e começar a trabalhar”.

Graças a uma companhia de dança, ele teve a oportunidade de viaja, conhecer outras realidades e ter contato com questões das minorias. Então, decidiu estudar em São José do Rio Preto, onde ouviu falar pela primeira vez em universidade, e descobriu que era um lugar que o pertencia também.

Negro, pobre e cotista, Mayk entrou na universidade, e viu que esse era apenas o começo da mudança. Depois de entrar, você precisa permanecer e esse é um grande desafio principalmente pra quem é cotista.

“Eu via gente de escola pública, pobre, preta, LGBT saindo da universidade porque não conseguia permanecer dentro dela, porque as políticas públicas não eram suficientes”. Foi para promover essas discussões que ele participou do movimento estudantil, do centro acadêmico e do PET (Programa de Educação Tutorial).

Neste último, encontrou uma forma de permanecer como bolsista. Mas não apenas isso: foi lá também que ele desenvolveu várias competências, “como conseguir me posicionar, me comunicar melhor, ter pensamento crítico e trabalhar em equipe” e que fez a sua graduação “valer a pena”. Ele participou do programa até o fim do ano passado.

Apesar de perceber que ainda há pouca representatividade na universidade pública, ele percebe que, hoje, “as pessoas estão mais engajadas e abertas a discutir essas temáticas”.

Luiza Soares, representante da Atlética da ESALQ (USP)

 

Luiza Soares, mais conhecida como D-butãti, é estudante de uma das faculdades mais antigas de São Paulo (que também já ficou conhecida pelos trotes violentos e machistas): a Esalq.

Mas ela é um exemplo de mulher que tem transformado essa realidade dentro da atlética. Luiza já integrou uma das gestões em hoje representa a atlética no Conselho Municipal da Juventude de Piracicaba.

“A atlética hoje é um grande exemplo dessa virada. Tivemos pouquíssimas presidentes na história e hoje somos em maioria dentro da entidade. São 115 anos de história e só agora realocamos pessoas para falar sobre racismo e outras pautas sociais dentro da atlética. Espero que a gente seja um exemplo para outras entidades na Escola porque a ESALQ precisa, sim, conversar sobre isso.”

Entre as ações que elas propuseram estava falar com a torcida da faculdade, atentando para o que é falado para os atletas e para as músicas que são cantadas. “Ainda há muito o que ser feito aqui dentro, mas estamos no caminho.”

Denis de Moura, atleta e membro da Atlética da FFLCH (USP)

Denis de Moura é atleta universitário há dez anos e vice-tesoureiro da Atlética da FFLCH.

Dono de uma fala tranquila e de um sorriso contagiante, ele relembra o tempo em que só o conheciam como “Negão”.

“Durante muito tempo eu tive o apelido de Negão. Apesar da minha pele não ser tão retinta, eu era um dos poucos negros a estar praticando esporte naquele momento na USP. Da mesma forma que isso era um empoderamento, uma forma de tomar consciência da minha identidade, também foi uma opressão muito grande.”

Depois de um tempo, os amigos mais íntimos começaram a chamá-lo pelo nome, Denis.

Sabe que existem diversos tipos de opressão no esporte, mas também muitas oportunidades para crescer. “Aprendi muito naquele espaço, não só da própria identidade, mas de viver bem com o próximo e de respeitar todas as individualidades e criatividades possíveis. Foi um trajeto complexo mas me considero vitorioso.”

Hoje, ele fica feliz vendo como cada vez mais a comunidade negra faz parte da universidade, não só no esporte, mas no centros acadêmicos e em outras entidades.

Vinicius Lima, DM do Basquete da EACH (USP)

 

Vinicius Lima é Diretor de Modalidade do time de Basquete Masculino da EACH e acredita que ser negro e entrar em uma universidade pública é uma grande conquista.

“São diversas batalhas travadas diariamente, entre elas fazer com que as entidades sejam mais plurais e representativas”, coisa que ele faz <3

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