Gestão Financeira

Criptomoedas: O que comem? Onde vivem? Como se reproduzem?

O cenário não tem nada de novo: você comprou o ingresso da festa para o seu amigo e está esperando o pagamento. Se você foi esperto, já usou a Partyou e está com o dinheiro na conta. Se não, está vivendo aquela novela mexicana, esperando o momento (e a maneira) que o seu amigo vai pagar. Até aí tudo muito normal, né?

Você comprou algo para alguém e, em troca, essa pessoa te paga em dinheiro – seja físico, em notas, ou digital, traduzido em números na sua conta. O sistema funciona assim e desde que nos entendemos por gente, essa é a dinâmica que conhecemos.

Mas você já parou para pensar que a maneira como entendemos o valor do dinheiro, pagamentos e economia em si é totalmente mutável?

Se voltarmos no tempo, lá atrás, antes da invenção da moeda, veríamos um sistema de trocas de serviços ou produtos por outros serviços ou produtos. Se seguirmos na direção oposta, rumo ao futuro, muito provavelmente entraremos na era das moedas digitais, ou criptomoedas. Mas, na verdade, elas não são tão futuristas assim e já estão por aqui desde 2009. Está curioso para saber que raios são essas moedas, porque isso te interessa e como elas podem mudar o mundo como conhecemos? Vem, que a gente explica no caminho!

Afinal, o que são as criptomoedas?

Criptomoedas são moedas descentralizadas produzidas coletivamente e codificadas.

A ideia de um “dinheiro B” surgiu em 1998 mas, só ganhou força em 2009, com a criação da criptomoeda mais famosa até o momento, a Bitcoin. Apesar da supremacia da Bitcoin, o mercado tem visto o surgimento e ascensão de diversas outras criptomoedas, como Litecoin, Ether e Siacoin.

As criptomoedas são produzidas por indivíduos e todas as transações são monitoradas e validadas pelos chamados mineradores, que são membros do público que recebem um incentivo financeiro para garantir a integridade e segurança do sistema. A criação de moedas também se dá através de indivíduos e não instituições, como no sistema financeiro atual – bem como as transações, que não necessitam de um intermediário. Esse sistema tem o nome de Blockchain, mas a sua definição é complexa demais pra um texto só e vamos deixar de lado por enquanto.

Que vantagem Maria leva?

Existem algumas vantagens em tirar a regulamentação da economia da mão das grandes corporações financeiras e dos governos. Para o indivíduo, uma das maiores é que as taxas para uma transação são drasticamente reduzidas, já que não há a necessidade de um intermediário. Enviar e receber moeda de diferentes países também não é um problema, já que o sistema é global e descentralizado (entretanto, vale lembrar que criptomoedas são ilegais em certos países).

A mesma lógica vale para pré-requisitos de transações, cancelamento e abertura de contas: são inexistentes, já que o sistema é global, colaborativo e não há intermediários.

Por que isso muda o mundo?

Após a crise de 2008 e suas consequências catastróficas para a economia de diversos países, o mundo assistiu a uma enorme perda de credibilidade em instituições financeiras e governos. Uma moeda alternativa, que não é emitida ou regulada por eles mas por membros do público em geral, é, de certa maneira, mais transparente e menos suscetível à politicagem e esquemas de corrupção. Por si só, isso já é uma verdadeira revolução.

O mercado das criptomoedas já é bem grande, mas ainda limitado perto da economia geral . Agora imagine se todo mundo trocasse os bancos por plataformas colaborativas, abertas e democráticas que se auto regulam? Ou começasse a usar criptomoedas tanto quanto utiliza os serviços de bancos? Hoje, é possível trocar bitcoins por euros, dólares e outras moedas em alguns caixas eletrônicos.

A estrutura de poder que conhecemos hoje é pautada no fato de que você vende seu tempo e suas habilidades em troca de dinheiro (produzido por terceiros e utilizado por você para outras trocas). E se você pudesse produzir o seu próprio dinheiro, a sua própria moeda? E se você utilizasse uma moeda que foi produzida pelo seu vizinho e não pelo governo? Tudo isso mudaria bastante o funcionamento da economia e estruturas de poder como conhecemos. Numa previsão positiva, significaria empoderamento – sobretudo de indivíduos e pequenos negócios.

Os dois lados da (cripto)moeda

Num mundo ideal, pagaríamos poucas taxas, faríamos negócio com gente do mundo, seríamos responsáveis por monitorar nossa própria economia e teríamos um sistema financeiro inclusivo e transparente.

Parece ótimo, não é? Mas, um sistema menos rígido em uma plataforma colaborativa e global também abre brechas e facilita para a compra e venda de produtos ilícitos.

A Bitcoin, por exemplo, foi considerada a moeda oficial da DeepWeb, internet paralela conhecida pelo comércio de drogas, armas e pedofilia. Isso se deve, principalmente, porque não é rastreável.

Diz o ditado que toda a moeda tem seus dois lados e, com as criptomoedas, a história não é diferente. Cabe a nós, enquanto cidadãos, pesar os prós e contras da revolução que elas trazem para o sistema econômico que conhecemos hoje e decidir qual é o real preço das mudanças que estão por vir.

Você já tem alguma criptomoeda? Tá esperando o que?

1 Comment

  1. Que artigo bacana! Já entrei no seu blog antes,
    porém essa é a primeira vez que escrevo um comentário.
    Pus teu site nos favoritos para que eu não perca nenhuma atualização.
    Nos falamos em breve, abraço!

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