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O Esporte Dentro das Universidades: Muito Além dos Campeonatos

A gente imagina que entrar na universidade é apenas meter a cara nos livros, fazer provas e sair para eventos. Mas precisamos falar sobre uma parte fundamental dentro das Instituições de Ensino Superior: o esporte. Não sabe o porquê? Então vem conferir.

Hora de começar aquele curso que tanto almejamos, a tensão é grande e o foco é no primeiro semestre: conteúdo, novos colegas, provas, eventos e, às vezes, até mesmo uma cidade nova. O foco é tão grande, que mesmo quem já fazia esporte antes de entrar na universidade se esquece de ir atrás dos times da instituição.

Mas é preciso ter em mente que a o esporte é parte fundamental dentro da universidade. E isso por vários motivos. Primeiro, porque o esporte movimenta grande dela, através da Atlética, de diversos eventos organizados que contam com o esporte para que ocorram, etc. Isso faz com que a instituição se divulgue e a tradição dentro dela continue acontecendo.

Outro motivo fundamental é como o esporte pode ser um grande catalisador para diversas coisas, como espírito de liderança, eficiência no trabalho em equipe, respeito e disciplina. Atletas precisam contar com disciplina para que os treinos sejam eficientes, para organizar o tempo e ter uma boa saúde, física e mental. 

Só com esses dois – grandes – motivos é possível entender a importância do esporte dentro das universidades.

Mas o esporte não se faz sozinho, ele conta com os atletas, cada um com seus objetivos, vontades, limitações e histórias.

Alguns atletas iniciaram a sua carreira há muito tempo atrás e continuaram a sua história dentro dos times universitários. Já outros, se descobriram na fase universitária. Mas mesmo com toda a empolgação de jogar e levar a sério o esporte nesse momento da vida, vários desafios são relatados por eles.

Para João Pedro Cabral, ex-capitão do time de rugby da Esalq/USP, por exemplo, muitas dificuldades existem no meio do caminho, dentre elas está encontrar jogadores para esse esporte, que tem mais de 40 anos de tradição dentro da USP.

“Por conta do rugby ser um esporte distante da realidade da maioria das pessoas, ninguém bota muita fé no esporte. Então é difícil conseguir novos jogadores, é difícil conseguir campo também, pois dizem que danificamos pelas chuteiras. Mas nos anos em que tive maior aproximação com a Atlética, por exemplo, e com momentos com mais campeonatos, era mais fácil conseguir horários de treino e atender as demandas do time.”

É notória a importância das entidades para os times, sem esses apoios fica muito difícil conseguir ir para frente. Um dos grandes incentivadores estão os eventos, sejam eles os organizados pela própria universidade ou outros, de porte local ou até mesmo nacional.

João Pedro nos conta que a participação  do rugby no Inter-raps de 2018, um evento de jogos entre repúblicas, foi decisivo para que as pessoas conseguissem conhecer mais do rugby. Além disso, o fato do esporte ter se tornado modalidade oficial nos jogos da USP.

“Antes o rugby era demonstrativo no CaipirUSP. E precisava ter uma sequência de anos para virar oficial. Eu sempre enchi meu carro com os caras para conseguirmos ir lá e jogar! Todas as vezes deu certo e ganhamos, inclusive. Mas era ir só pra jogar e mostrar que a AAALQ tinha interesse em participar. Hoje, finalmente, virou modalidade oficial.”

Foto: João Pedro Cabral – CaipirUSP 2019.

Apesar dos exemplos serem com o rugby, outros problemas também são enfrentados por demais atletas. O Bruno Assis, estudante de Engenharia de Controle e Automação da UNICAMP, é carateca e concorre a uma vaga nos jogos olímpicos de Tóquio 2020.

Bruno começou cedo a sua trajetória e, mesmo ingressando em um curso sem relação com esportes, continuou a treinar sem perder o rítmo. Ele nos conta que sempre investiu nos estudos e que o karatê foi uma grande ponte para isso, por conseguir bolsas de estudos em cursos de idiomas e pré-vestibular.

“Além de atleta, sou professor voluntário de karatê dentro da Unicamp para que outras pessoas possam conhecer a área que eu tanto admiro, também sou diretor de modalidade esportiva karatê dentro das Atléticas da Unicamp e, graças aos meus bons desempenhos dentro e fora do tatame, fui nomeado embaixador do esporte universitário do estado de São Paulo.”

Isso demonstra como a universidade tem um papel fundamental para que os atletas continuem a sua trajetória, mesmo após ingressar em um curso superior. Esses programas são verdadeiros incentivos para que eles continuem o seu legado e alcancem vôos mais altos.

Já outros atletas, começaram depois. Como é o exemplo de Roberta Medeiros, que começou no jiu-jitsu em 2015 e com apenas 6 meses de treino já foi competir. E nesse ano de 2019, ela conquistou o campeonato Brasileiro e o mundial da IBJJF.

“Após ser campeã mundial, a FEALQ me presenteou com uma bolsa atleta, fiquei muito feliz com o reconhecimento e com o apoio da Fundação, me incentivando na prática do meu esporte.“ – contou Roberta.

Ela ainda complementa falando sobre as dificuldades no meio do caminho:

“Acredito que os principais obstáculos são conciliar a grade curricular do curso com os meus horários de treino. Normalmente eu treino de 2 a 3 vezes ao dia, contando os treinos de jiu-jitsu e a preparação física. Além disso, eu preciso seguir uma boa alimentação, então quando eu saio de casa eu já levo minha bolsa para o treino, bolsa térmica com minhas refeições do dia, e volto para casa apenas às 22h quando finalizo meu último treino. Depois, estudo e realizo as atividades do estágio e das disciplinas que estou cursando. É bem corrido, mas é muito prazeroso, ainda mais quando fazemos o que amamos e conseguimos obter os resultados desejados.”

É possível perceber como a universidade é essencial para jovens atletas e como o esporte deixa a instituição mais vida, com todos os seus treinos, entidades, projetos paralelos e eventos. E é por isso que o esporte é tão importante, pois além de mudar a vida de estudantes, entregando mais disciplina, espírito de equipe e experiências únicas, também permite mudar a vida da universidade como um todo.

E você, faz esportes? Como a sua instituição te incentiva? Conta aqui pra gente!

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