Gestão financeira

Do escambo aos pagamentos digitais

É praticamente impossível imaginar um mundo hoje em que serviços, produtos e posses não sejam medidos em dinheiro. Mas, como já se sabe, antes que cédulas e moedas existissem, outros métodos foram usados para possibilitar os pagamentos entre as pessoas. A primeira delas, o escambo, era baseada principalmente na troca de alimentos, animais ou serviços.

Eu tenho ovos e você leite, eu tenho um bezerro e você fabrica sapatos. Então, trocamos. A noção de equivalência de valor não existia, o importante era trocar algo que se tinha por algo que era se tinha, mas era necessário. A coisa começava a complicar quando o sapateiro tinha ovos o suficiente e não queria nada mais que você pudesse oferecer, ou vice-versa.

Com o tempo, alguns produtos passaram a ser mais procurados que outros. E foi assim que a ideia de moeda começou a surgir, sendo a primeira delas o sal. Um item raro e cada vez mais essencial na culinária, principalmente por conservar os alimentos, o sal passou a ser a melhor forma de pagamento – daí a palavra “salário”.

Mais alguns produtos foram utilizados dessa forma até ser descoberto o metal. Difícil de ser encontrado e com boa durabilidade, ele ganhou o posto oficial de moeda. No início era utilizado de forma bruta ou em joias, e tinham seu valor medido pelo peso e tipo de metal. Até que as moedas passaram a ser cunhadas e o que passou a valer era o número estampado na face, chegando à noção que temos hoje: peso e valores padronizados.

E as cédulas? Eram antigos recibos emitidos por ourives que guardavam as posses dos contratantes – responsabilidade que passou mais tarde para os bancos. Estes, por sua vez, passaram a emitir as cédulas, que ainda hoje são a principal forma de pagamento, junto às moedas usadas como troco.

Para facilitar as transações e aumentar a segurança, foram criados os cartões de plástico que, dependendo do lugar do mundo em que se está, tem mais ou menos aderência. Aqui no Brasil, as maquininhas tem ganhado cada vez mais espaço – do camelô ao shopping, dos táxis à barraca da praia. Mas ainda assim, papeis e moedas são a forma mais utilizada de pagamento, principalmente quando o valor é baixo – é o que aponta estudo feito pela CPS Homescan em 2015.

Os meios de pagamento evoluíram muito mas dinheiro ainda é o mais usado no Brasil

Apesar disso, é fácil pensar em um cenário em que o dinheiro seja cada vez menos utilizado,  principalmente com o crescimento dos pagamentos eletrônicos que não são nem um, nem dois, nem três, mas um mar de possibilidades, que crescem a cada dia junto às novas tecnologias.

Nessa onda a Partyou fica de olho nas melhores iniciativas para trazer as melhores soluções. Preparamos algumas tendências do mercado e por que não que podem pintar na Partyou num futuro próximo.

1 – Pagamento por mensagem

Já pensou em poder cobrar aquele ingresso de cinema ou o aluguel atrasado por mensagem? O Facebook já começou a testar essa ideia no Messenger, nos Estados Unidos. Desde 2015, a rede social conta com uma ferramenta que permite fazer e receber pagamentos, sem taxas adicionais. Basta que se adicione um cartão de débito com bandeira Visa ou Mastercard à conta e se tenha a versão atualizada do aplicativo, que é disponibilizado para iOS e Android. O dinheiro é imediatamente retirado da conta e entregue na conta do destinatário e os dois contatos recebem uma confirmação da transação, além de poderem acessar o histórico de pagamentos.

O serviço foi até estendido para as conversas em grupo. E é bem provável que outras plataformas de trocas de mensagens se interessem por adicionar esse tipo de função. Prático, rápido e sem a necessidade de redirecionamento para outras páginas ou aplicativos, o pagamento por mensagem é uma das apostas para as pequenas cobranças do dia a dia, principalmente entre familiares e amigos.

2 – Deixando os cartões em casa

Fazer compras sem necessidade de dinheiro em espécie ou cartão é uma das apostas das carteiras digitais. E elas vêm aumentando.

Partindo do mesmo princípio de uma carteira tradicional – guardar dinheiro, cartões se documentos – as carteiras digitais armazenam dados financeiros e de identidade do usuário na nuvem. Basta um smartphone com algum aplicativo instalado (para compras em lojas físicas) ou uma conta com cartão cadastrado (para transações pela internet) e pronto.

Entre as vantagens dessa forma de pagamento estão: a praticidade, principalmente para quem gosta de sair só com o essencial no bolso; a rapidez, já que seus dados ficam salvos e você não precisa digitá-los de novo a cada compra realizada; e a segurança, já que elas utilizam criptografia para manter os dados confidenciais – muitas possuem, inclusive, mais de uma etapa de autenticação, como por exemplo senha e PIN, ou ainda ID digital. Elas também podem armazenar documentos pessoais, como identidade, carteira de motorista, carteira de plano de saúde.

Grandes empresas do setor de tecnologia, como Apple, Samsung e Google, estão investindo nessa tendência, que no Brasil ainda não é tão comum, mas estão aumentando – como aponta este estudo da Mind Miners. Será que com a chegada do ApplePay este cenário vai se consolidar?

3 – Já é a vez de bitcoin?

A moeda virtual criada em 2009 é outra tendência das transações feitas pela internet, mais voltada para investidores. Baseada em código aberto e independente de qualquer autoridade central, ela pode ser transferida por computadores e smartphones sem precisar de uma instituição financeira.

É muito bom para quem quer transferir dinheiro internacionalmente, comprar produtos e diversificar investimentos. E o fato de seu valor já ter duplicado neste ano mostra que não veio para brincar.

A ideia tem pegado tanto que até surgiu uma nova moeda digital, o Ether. Como será que essa história vai ficar?

4 – Foco na vertical: novas plataformas de pagamento

Aqui a bola da vez é dos programadores e o foco está em oferecer um serviço específico que não existe ou pode ser aperfeiçoado. Vindi, Asaas, PicPay e Partyou são algumas das empresas que inovaram nesse setor e, com criatividade, alcançaram parcerias.

A Vindi  veio facilitar cobranças de assinaturas e pagamentos recorrentes, a Asaas se especializou em processos de cobraça, já o Picpay foca em pessoas físicas e pequenos estabelecimentos.

Partyou também está nessa categoria e busca formas de ajudar as pessoas a pagarem conjuntamente pelos produtos e as empresas a venderem para grupos de compradores.

Receber dos amigos ou vender para grupos é possível pela Partyou

5 – É você mesmo? Pagamentos com impressão digital e até selfie!

Tendo em vista que as transações bancárias por meio de celulares aumentaram 96% no último ano (segundo dados da  Federação Brasileira de Bancos divulgados em maio deste ano), muitas empresas e bancos têm buscado alternativas para realizar os pagamentos com maior segurança. Daí surgiram os sistemas de biometria – já amplamente usados por bancos como Itaú e Bradesco -, o Token (dispositivo que fica dentro do aplicativo gerando senhas numéricas aleatórias  solicitadas nas transações) e a selfie. Sim, a selfie.

O Banco Neon em parceria com a Visa, por exemplo, já utiliza o sistema de reconhecimento facial para autenticar suas compras online, pode parecer meio estranho ficar procurando seu rosto na camera pra pagar um café, mas a empresa e a fintech apostam que isso é a forma mais segura de autenticação.Com os roubos de celulares e clonagens de cartões frequentes, os sistemas de segurança também vão se aperfeiçoando. E, pelo jeito, as formas de comprovar que você é você mesmo também chegaram às cobranças digitais.

6 – Fintechs: inovação que veio pra ficar?

Filas enormes nas agências bancárias, juros altos e burocracia para pegar um empréstimo, ou simplesmente aquele incômodo de ter que ficar cobrando os amigos por ter pago antecipado a casa na praia. Foi para tentar resolver problemas como esses que surgiram as fintechs –  empresas que usam da tecnologia para oferecer serviços no setor financeiro de forma inovadora.

O Nubank é um dos destaques desse setor. A startup apostou numa interface fácil e amigável,  e ofereceu um cartão de crédito sem tarifa que pode ser controlado totalmente pelo aplicativo. Já a Tô Garantido investiu nos micro seguros e a Bisa em empréstimos com melhores taxas, permitindo que públicos de menor renda também tivessem acesso a esses serviços. (Aqui você encontra outros exemplos de fintechs).

Mais enxutas e com foco na experiência do cliente, essas empresas conseguem competir com menor preço e quem sai ganhando é o usuário. De acordo com a vice-presidente do Nubank em reportagem para a Exame, a estratégia veio pra ficar: “Ninguém vai escapar desse movimento. A tecnologia está vindo como uma bola de neve. À medida que vai ganhando escala, vai ficando mais importante, e você precisa correr atrás”.

Difícil pensar o contrário.

São muitas as possibilidades que podemos mirar à frente, mas uma coisa é certa: a tecnologia guia todas elas. Seja para proporcionar melhor experiência para o consumidor, seja para facilitar o serviço ou aperfeiçoar a segurança. Seja para concentrar as informações em um local, diminuir custos ou aumentar a rapidez. E o cliente – que se transforma cada vez mais em usuário – tem suas possibilidades de escolha aumentadas.

Já pensou em quais delas são as mais adequadas para você?

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