Gestão Financeira

Cada vez mais prático e seguro: pagar e receber pela internet é a tendência

As tecnologias têm possibilitado novas formas de interação entre as pessoas ao longo do anos e as transações financeiras não ficaram de fora. Evoluímos do escambo às mercadorias, das mercadorias às moedas e cédulas, das moedas aos cartões de crédito e chegamos ao  vasto cenário atual dos pagamentos digitais (tema deste texto aqui), nos quais não vemos a cor nem o cheiro do dinheiro.

Mas mesmo em meio a tantas possibilidades que tentam facilitar as tarefas na correria do dia a dia, o dinheiro em espécie continua sendo o principal meio de pagamento, ao menos no Brasil – segundo estudo da CPS Homescan feito no primeiro semestre de 2015. Principalmente quando se tratam de pequenos valores.

Desconfiança?

Ao que tudo indica, entre os motivos deste uso estão o fato uma parcela da população brasileira não ter acesso a dispositivos com internet, como computadores e smartphones, e até mesmo a falta de habilidade dos que têm o acesso. No entanto, uma palavra salta de um dos discursos mais recorrentes sobre os pagamentos e recebimentos online: o medo. Medo que vai do hackeamento de informações ao vírus, da instabilidade dos sites à clonagem de cartões. Quem nunca escolheu pagar seus produtos no boleto por medo de inserir os seus dados?

De acordo com pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) por todo o país, apenas 20% dos entrevistados garantem sentir-se totalmente seguros para fazer compras na internet.

Tecnologia de segurança da internet está crescendo…

Porém, assim como as tecnologias têm possibilitado novas formas de pagamento, elas também têm criado novas estratégias de segurança, que são cada vez mais eficientes e tem avançado no mundo inteiro. O PayPal, por exemplo, maior carteira digital do mundo, já atingiu 200 milhões de contas ativas. E seu CEO Dan Schulman garante que isso se deu pela segurança e confiabilidade no serviço.

No Brasil, os investimentos com insegurança na internet também não têm sido baixos e já chegam a 8 bilhões de dólares, com um crescimento anual de 30% a 40%, conforme aponta estudo da PwC (empresa especializada em consultoria de negócios, auditoria e asseguração).

Veja algumas das estratégias que têm sido adotadas pelas empresas para tornar os sites mais seguros:

Dupla autenticação

Como o nome já sugere, trata-se de uma autentificação em duas etapas, como por exemplo segunda senha, PIN ou ID digital. Os bancos também  têm adotado estratégias como essas em seus aplicativos, como o Token e, agora, até a selfie. Pois é, por mais que pareça estranho, já existem bancos que utilizam o sistema de reconhecimento facial para autenticar suas compras online. É o caso do Banco Neon. Já o PayPal permite aos usuários cadastrar seus números celulares para receberem mensagens ou ligações sempre que um pagamento for realizado, aprovando ou não a transação.

Criptografia dos dados e certificados de segurança

Outra forma de deixar os pagamentos mais seguros é deixar os dados criptografados.

Há algumas empresas que oferecem esse tipo de serviço para os sites, e existem alguns certificados, que dão selo de qualidade aos sistemas de segurança utilizados.

Como isso acontece? Há algumas autoridades certificadores (AC) que funcionam como “cartórios virtuais”. Os certificados possuem vários níveis de confiabilidade, mas a maioria das ACs cobra anualmente para autenticar até mesmo os certificados que não exigem nenhum procedimento manual.

O PagSeguro, por exemplo, utiliza Certificação PCI (sigla em inglês para “Padrão de Segurança de Dados para a Indústria de Cartões de Pagamento”), que assegura que o sistema evita fraudes e, caso isso ocorra, eles estornam o dinheiro ao usuário.

Mas hoje em dia existem iniciativas que têm buscado facilitar o fornecimento desses certificados de forma gratuita. É o caso da “Let’s Encrypt” (“Vamos Criptografar”), que possibilita que todo site possa exibir o cadeado que indica que o site é seguro. O serviço é mantido pelo Internet Security Research Group (ISRG, ou Grupo de Pesquisa em Segurança em Internet, em português), uma organização sem fins lucrativos na Califórnia, que faz parte da Linux foundation Collaborative Projects e que conta com o apoio da Cisco, da Akamai, da IdenTrust e da EFF. (Saiba um pouco mais aqui).

Muitas fintechs, startups que usam da tecnologia para oferecer serviços no setor financeiro de forma inovadora, utilizam essas estratégias. A Partyou, por exemplo, utiliza certificado Let’s Encrypt para garantir que os usuários possam pagar em grupo por qualquer coisa de forma segura.

Estratégias como essas têm crescido no Brasil. Somente de 2015 a 2016, a utilização de certificação SSL, que criptografa os dados, cresceu 250% no Brasil, segundo pesquisa “Perfil do E-commerce Brasileiro”, realizada pela BigData Corp. sob encomenda do PayPal Brasil.

… e a desconfiança está diminuindo

O consumo de tablets e smartphones entre os usuários brasileiros está aumentando e, consequentemente o acesso à internet. Isso somado às estratégias de segurança desenvolvidas pelas empresas que oferecem serviços financeiros, têm mostrado um cenário cuja tendência é cada vez mais se pagar e receber pela internet – principalmente por meio de celulares e tablets. Vamos analisar alguns números.

O mesmo estudo que aponta que apenas 20% dos brasileiros assumiram ter plena confiança nos pagamentos digitais também destaca que a desconfiança dos brasileiros está diminuindo. De acordo com a pesquisa, 43% dos internautas fizeram compras online e as ferramentas como PayPal, Moip e Pag Seguro foram usadas por 31% da amostra.

Outro estudo feito pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgada em maio deste ano mostra que a tendência é o mobile. Ao menos no que se diz respeito aos bancos, as operações via mobile banking, incluindo transferências, pagamentos e consultas de saldo, cresceram 96% na comparação com o ano anterior e representa um terço do total de todas as transações feitas no País.

É…Parece que brasileiras e brasileiros estão rompendo com a cultura de insegurança e revendo seus conceitos.

Aproveite para receber online daquele amigo que está te devendo um dinheiro. E manda esse texto pra aquele seu amigo caloteiro que usa o medo dele como desculpa pra não te pagar! 😉

E se você recebeu esse texto de um amigo… Bem…