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Passando o bastão da atlética

O final do ano se aproxima e muitas atléticas estão fazendo a troca de gestão. Dá um frio na barriga em quem está entrando e um aperto no peito em quem está saindo. É tempo de renovação. Novas ideias, novas pessoas, novas definições de prioridades.

Cada atlética tem o seu jeito de montar a nova equipe e fazer a troca. Conversamos com várias delas para entender quais eram os principais desafios e as dicas que os veteranos poderiam dar para quem chega.

Nossa ideia é ajudar você e sua atlética a tornar a passagem de bastão um processo mais integrado, fluido e sem atritos. Então, bora lá!

Faça uma retrospectiva 🚶

Muito provavelmente, quem vai assumir a nova gestão é membro da atlética há um tempo e já estava se preparando para integrar a próxima equipe, experimentando e se aproximando das áreas de maior interesse. Essa pessoa já conhece bastante coisa da Atlética e tem muito a agregar.

Mas há casos em que a pessoa assume a direção de uma área sem ter tido experiência anterior. Independentemente disso, é importante que a nova gestão faça uma retrospectiva da gestão anterior, apontando os pontos positivos que querem manter e o que pode ser melhorado. Aqui também vale trazer as novas ideias que gostariam de dar atenção.

Repense cargos e funções 🕵‍

Alguns cargos, como de presidência, vice-presidência, secretaria e tesouraria costumam ser demandas obrigatórias do Estatuto (confira o estatuto da sua atlética), mas o restante fica a critério da gestão. Nesse momento inicial, é importante que a nova gestão repense se todos os cargos anteriores são necessários, se querem juntar áreas ou mesmo criar uma nova função.

A sua atlética pode resolver, por exemplo, dar atenção para a captação de recursos para os campeonatos. Então, talvez seja interessante ter uma pessoa específica pra cuidar de patrocínio.

Ou então, vocês podem achar importante que alguém fique responsável por entender as expectativas, saber o que cada pessoa quer fazer e aprender. Nesse caso, por que não ter um cargo para RH?

Ou ainda, ter dois Diretores Gerais Esportivos, um pra campeonato externo e ou interno. As possibilidades são diversas e cabe à sua gestão estudar quais as melhores de acordo com a suas prioridades.

A gestão 15/16 da Atlética da ESALQ (USP), por exemplo, percebeu que tinha gente que acumulava muitas funções. Então, pensou em criar comissões para organizar as áreas — ideia que foi posta em prática pela gestão 17/18. Cada comissão era formada pelo(a) Diretor(a) daquela área e mais algumas pessoas que ficariam responsáveis por ela. “Antes, a presidência perguntava: ‘quem pode fazer isso?’ e alguém assumia”, conta Gabriela Rosalini, mais conhecida como “Rivotril” ou “Rivo” (para os íntimos), então presidente.

Já a Julia Biagini, que está deixando o cargo de tesoureira da atlética da ECA, acha que é importante que a diretoria não se feche e que a atlética monte grupos para situações específicas, como um inter, aproveitando o que cada pessoa tem a oferecer.

Gestão 15/16 da Atlética da ESALQ (USP)

Leia atas 🗒

Pode parecer chato, mas se sua atlética costuma documentar as reuniões e feedbacks de eventos em atas, acostume-se a ler as atas antes de preparar as suas atividades. Isso pode te poupar um tempão e evitar você cometa os erros que alguém já cometeu.

“Na Poli, depois de todo evento, a gente tem costume de fazer uma reunião e documenta isso em ata. Quando eu virei Diretora de Eventos e tive que organizar a premiação do Rato do Ano, eu li a ata da festa do ano anterior e vi que tinha dado alguns problemas, como por exemplo o fato de não terem alugado projeção. Então, eu tentei melhorar isso”, conta Fernanda Alves, que integrou a gestão passada.

Gestão Operação Mangusto II (Gestão 2017/2018), da qual a Fernanda participou

Pense na diversidade 🧡💛💚💙💜🖤

E aqui vale diversidade de cores, gêneros, ideias e opiniões. A atlética é construída por muita gente e essa pluralidade só agrega nesse processo.

Já com relação à inclusão de minorias, é um tópico mais novo, que algumas atléticas têm começado a pensar. Um primeiro passo foi criar as Comissões Anti-Opressão (CAOs), para evitar preconceito e violências em eventos organizados pela atlética. Mas talvez o próximo passo seja como tornar a atlética, em si, mais diversa. Como captar pessoas e distribuir as funções? Nesse aspecto, as trocas com outras entidades como centros acadêmicos, grêmios e coletivos, podem ser muito benéficas.

“A gente viu que era importante ter uma mulher na presidência, para que as mulheres pudessem ver que podem ocupar esse espaço.” — Fernanda Alves, diretora de Eventos da Atlética da Poli (USP)

Mete a cara! 💃

Sim, você vai sentir que não sabe nada e vai ficar com medo de fazer besteira… e isso é normal! O importante é lembrar que você não está sozinho(a) e que também está lá para aprender (e pode ter certeza de que vai ser um dos momentos de maior aprendizado durante a sua faculdade!). No final das contas, você aprende mesmo é fazendo.

Não tenha receio de procurar pessoas que estiveram no mesmo cargo que você antes, seja de gestões anteriores ou até mesmo de outras atléticas. Crie um canal de comunicação e pergunte sempre que tiver dúvida.

Arrume a casinha 🏠

Se sua atlética não tinha costume de deixar a casa organizada, vai ser difícil por tudo em ordem no fim. Mas tente ao máximo deixar documentos, atas, arquivos e planilhas importantes de um jeito fácil pra próxima gestão.

Explique com calma como funciona cada coisa, deixe na mão planilhas de fornecedores, tabelas de precificação de festa, entre outros, para que não haja retrabalho.

Período de cogestão 🤝

Existem atléticas que passam por um período de cogestão, em que as duas gestões trabalham juntas para que essa passagem se dê de um jeito mais fácil. E esse tempo varia muito de atlética pra atlética.

Na ECA, as gestões trabalham juntas por três meses. Como eles se dividem basicamente entre área esportiva e social, fazem dois grandes eventos para que a gestão antiga possa passar as funções principais para as novas.

De acordo com a Julia, no caso do social, quem cumpre esse papel é a festa “Outubro ou Nada”. “Todo o planejamento e execução são feitos pela Família Eventos (Diretor Geral de Eventos + Diretor Financeiro Social) das duas gestões. Existe a tradição de, a partir das 2h, a gestão antiga desligar o radinho e deixar a festa e desmontagem nas mãos da nova gestão”, explica.

No esportivo, o que mobiliza todo mundo é o BIFE. Por ser um inter maior e precisar de mais braço, além de passar as funções, estar em maior quantidade de pessoas facilita o trabalho. É só depois de tudo isso que, logo após o BIFE, acaba o período de cogestão e começa o ciclo oficial da nova atlética.

Já na FZEA, é a primeira vez que estão testando o período de cogestão. Funciona assim: eles formaram um grupo entre as duas diretorias para que discutam junto o planejamento. A dificuldade maior é que, por ser período de férias, muita coisa acaba sendo pela internet e não fisicamente. “Acho que se perde muito a comunicação. Se fosse presencial ia ser feito melhor”, conta Maria Rita Carvalho, que integra a gestão atual. “Mas como a gente faz postulação praticamente no último dia de aula, é o jeito.”

E ela dá uma dica pra esse momento

“É importante que cada um saiba sua posição: a antiga está lá para ajudar e a nova para por a mão na massa” — Maria Rita Carvalho da Atlética da FZEA (USP)

Em outros casos, não existe um período de cogestão. Algumas pessoas que eram da gestão antiga permanecem e os novos vão aprendendo com eles. É o caso da atlética da Unesp São José do Rio Preto, em que a passagem de bastão oficial é feita na primeira reunião ordinária do ano e segue uma tradição: o “bastão” é uma garrafa de cerveja de 600 ml antiga, que nunca foi aberta — e assim ela deve permanecer, já que está vencida há um bom tempo.

Luis Felipe Kock passando o “bastão” para Pauline Bernardi (Gestão 2018), cumprindo a tradição que já tem dez anos na Atlética da Unesp São José do Rio Preto

Mantenha um canal de comunicação 💬

Algumas atléticas fazem isso de um jeito mais oficial, a partir de um conselho com ex-membros e reuniões em determinados períodos, mas o importante é que exista uma canal de comunicação para que os membros antigos ajudem a sanar dúvidas, independentemente de como ele seja: presencial em reunião, um grupo no WhatsApp, uma conversa tomando breja depois da aula.

Na FZEA, por exemplo, existe um conselho composto por ex-diretores e que para entrar cada um faz uma proposta de como podem continuar dando suporte. Quando precisa, convocam uma reunião, fazem hangouts e mantém um grupo no WhatsApp.

De acordo com a Julia, na ECA, não tem um conselho, “mas existe um carinho e empatia muito grande de quem já foi gestão. É a partir daí que o apoio físico e emocional vem. Essa relação entre gestões antigas e a atual é muito boa. São eles que olham pra gente e falam: ‘Você não está bem, vâmo tomar uma breja e conversar?’. Durante a Festeca, era presidente da 28 correndo de um lado pro outro, DGEv da 25 me salvando no caixa, DGE da 25 preocupada. Não é uma relação de obrigação, mas sim de sempre serem solícitos”, lembra Julia.

E tem quem conheça todo mundo. “Temos conselho de ex-presidentes e vices, mas é apenas para tirar algumas dúvidas. Como somos novos — temos apenas 5 anos de atlética — , eu praticamente participei de todas as gestões hahaha, então tenho contato ativo com todos os ex-integrantes”, explica Tales, da atlética da Engenharia das USJT.

Desapega! 🙌

A gente sabe que essa parte é difícil, você passou muito tempo ali, com aquelas pessoas e dando o melhor de si, mas largar o osso também é necessário.

Pra Julia, que está saindo agorinha, isso tudo ainda está muito latente:

“De um lado existe um sentimento de querer que aquilo acabe logo, porque se tem uma coisa que a Atlética é, é ser um trabalho pesado, cansativo. Mas, também, quando o fim está próximo, o apego chega. Afinal, você construiu aquilo por muito tempo. Já a gestão nova chega com muita energia, querendo mudar processos e coisas logo no início. Nesses caminhos podem haver embates. É a ‘voz da experiência’ versus a ‘novidade’.” – Julia Biagini, tesoureira da Atlética da ECA (USP)

Mas fiquem tranquilos. As pessoas que vão entrar amam a atlética tanto quanto você, vão fazer o melhor que puderem e agora é hora de seguir o fluxo.

Gestão 2017/2018 da ECA (USP)

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